logo IMeN

Importância do Protocolo de Mensuração da Composição Corporal por Bioimpedância Elétrica

Nutricionista Thereza Emed
Nutricionista Cínica
Responsável pela Terapia Nutricional - IDPC

Independente de sexo, idade e origem a estimativa precisa da composição corporal proporciona um componente importante em um programa  de aptidão física, no controle do peso corporal, na manutenção de um alto nível de funcionamento fisiológico estando relacionada à saúde e qualidade de vida do indivíduo 1,2.
A avaliação atual da composição corporal separa a massa corporal em diferentes compartimentos cuja soma é igual à massa corporal total1. Deste modo a avaliação inclui a mensuração da gordura, da massa livre de gordura e da água corporal total. A massa livre de gordura pode ainda ser separada em massa magra, incluindo água e osso sendo diretamente correlacionada com saúde e longevidade3.
Somente por intermédio da análise de cada um dos componentes da composição do corpo humano, de forma isolada e em relação ao próprio peso corporal, é que se torna possível observar as alterações produzidas pelos programas de controle de peso e da atividade física no organismo de um indivíduo4.
Muitos métodos para mensuração da composição corpórea (pesagem hidrostática, pletismografia ,DEXA ) tornam-se de difícil acesso devido ao alto custo do equipamento. Métodos simples como a bioimpedância elétrica (BIA) e a medida de pregas cutâneas continuam sendo os mais utilizados no campo da pesquisa 5.
A BIA é um método não invasivo, rápido, com boa sensibilidade, indolor, relativamente preciso, usado para avaliar a composição corpórea, baseado na passagem de uma corrente elétrica de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), e que permite mensurar os componentes resistência (R), reatância (Xc), impedância (Z) e ângulo de fase ()6.
Vários autores referem que o avaliado tem participação decisiva no exame, pois apesar da relativa facilidade e rapidez da medida, a utilização da técnica de bioimpedância requer um conjunto de procedimentos prévios por parte do avaliado, sem os quais poderá ocorrer prejuízo a qualidade das informações 4.
O conjunto de procedimentos necessários depende do autor considerado por não haver um consenso na literatura especializada. Os itens de mais apontados são: suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste 4,7,8,9; estar em jejum de pelo menos 4 horas 4,7,8,10 ; estar em abstinência alcoólica por 24 a 48 horas 4,7,8,910,11, ; evitar o consumo de cafeína 24 horas antes do teste 7,9; estar fora do período pré menstrual 7; não ter praticado atividade física intensa nas últimas 24 horas 4,7,8,910; urinar pelo menos 30 minutos antes da medida 4,8; permanecer pelo menos 5 -10 minutos de repouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida 4,8; contra-Indicação absoluta para a realização do teste: portadores de marcapasso e gestantes 7.
O nível de desidratação e a temperatura ambiente também podem apresentar alguma influência na qualidade das informações1,4. A hipoidratação ou hiperhidratação altera as concentrações eletrolíticas normais do corpo, que por sua vez afetam o fluxo da corrente. A perda de água corporal através da perda de suor do exercício ou pela restrição hídrica voluntária acarreta em uma estimativa menor do percentual de gordura corporal; a hiperhidratação produz o efeito oposto superestimando a gordura corporal 1.
Com relação às equações empregadas para a estimativa da massa isenta de gordura, sugere-se a utilização de expressões específicas segundo sexo e grupo etário. Assim para análise mais precisa da composição corpórea, deve haver a preocupação do pesquisador em verificar se as equações disponibilizadas pelo aparelho se aplicam às características do avaliado1,4,12.

1. MCARDLE W.D; KATCH F.I; KATCH V.L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5ª edição. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan S.A., 2003.

2.GHORAYEB N, BARROS T. O Exercício – Preparação Fisiológica, Avaliação Médica, Aspectos Especiais e Preventivos. 1ª edição. São Paulo, Ed. Atheneu, 2004.

3.SUN S.S, et al. Development of bioectrical impedance analysis prediction equations for body composition with the use of multicomponent model for use in epidemiologic surveys. Am. J. Clin. Nutr. 2003; 77:331-40.

4. GUEDES, D.P; GUEDES, J.E.R.P. Controle do Peso Corporal, Atividade Física e Nutrição. Londrina: Ed. Midiograf, 1998.

5. SUN G; FRENCH C; MARTIN C. Comparison of mutifrequency bioelectrical impedance analysis with dual-energy X-ray absorptiometry for assessment of percentage body faty in a large healthy population. Am. J. Clin. Nutr. 2005;81:74-8.

6. BOTTONI, A. Bioimpedância Elétrica. CONGRESSO GANEPÃO-SP, 2001.

7. MAGNONI, D.; CUKIER C. Nutrição na Insuficiência Cardíaca. São Paulo: Ed. Savier, 2002.

8. LUKASKI, H. C. et al.  Validation of tetrapolar bioelectrical impedance method to assess human body composition. Journal of Applied Physiology 1986; 60:1127-32.
9. CORRÊA F.H.S et al. Influência da Gordura Corporal no controle clínico e metabólico de pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabolismo. Fev 2003: vol 47, nº 1.

10. SABIA R.V et al. Efeito da atividade física associada à orientação alimentar em adolescentes obesos: comparação entre o exercício aeróbio e anaeróbio. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Set/out 2004; Vol 10, nº 5.

11. KAC G.; MELÉNDEZ G.V; VALENTE J.G. Menarca, gravidez precoce e obesidade em mulheres brasileiras selecionadas em um centro de saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Caderno Saúde Pública, Am. J. Clin. Nutr. 2003;77:331-40.

trans 
Get Adobe Flash player

IMeN - Instituto de Metabolismo e Nutrição
Rua Abílio Soares, 233 cj 53 • São Paulo • SP • Fone: (11) 3287-1800 • 3253-2966 • administracao@nutricaoclinica.com.br