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Antioxidantes Nutricionais - Compostos fenólicos

Fenóis são compostos que apresentam hidroxila ou oxidrila ligada diretamente ao núcleo benzênico 59 (figura 5). Vários polifenóis (que apresentam mais que 3 hidroxilas ligadas ao anel benzênico) distribuídos na natureza apresentam ação antioxidante e têm sido associados com a redução de doenças crônicas. Entre eles, os flavonóides têm se mostrado um dos antioxidantes mais abundantes e eficazes da nossa dieta.

 

Figura 5 – Compostos fenólicos

 

Alguns flavonóides apresentam efeito antioxidante quatro vezes maior que a vitamina E, por exemplo 60. As fontes alimentares de flavonóides incluem maçãs, cebola, vinho tinto, chocolate, frutas vermelhas, frutas cítricas e chá verde 61-63 e vários estudos prospectivos observaram a redução do risco cardiovascular na presença de alta ingestão desse grupo de substâncias 64.

A infusão obtida através das folhas da planta Camélia sinensis origina o chá verde ou chá preto ricos em compostos fenólicos. Estes compostos representam até 30% do total do peso seco das folhas de chá in natura e incluem os flavandiois, flavonóides, ácidos fenólicos e flavonóis (mais conhecidos como catequinas). A grande maioria das pesquisas sobre o chá tem tido como objetivo identificar seu potencial anticarcinogênico 65 e também antiaterogênico.

O estudo Zutphen Elderly Study 64 , pela primeira vez, mostrou que o consumo de vários flavonóides (quercetina, campferol, miricetina, apigenina e luteolina) apresentava ligação inversa, dependente de dosagem, com a incidência de infarto agudo do miocárdio em um grupo de idosos (n = 805). Após 5 anos de acompanhamento, a incidência da taxa de mortalidade (1 mil pessoas/ano) para infarto não fatal e fatal foi de 16.2, 13.8 e 7.6 para o consumo de flavonóides de 0 a 19 mg/dia, 19.1 a 29.9 mg/dia e mais de 29.9 mg/dia, respectivamente.

Atualmente, estimulados pelos resultados do Estudo de Lyon 66 (dieta do mediterrâneo) que mostrou redução importante da mortalidade por doenças cardiovasculares no grupo de indivíduos que se alimentavam de acordo com o padrão das regiões européias próximas ao mediterrâneo comparado ao grupo cuja alimentação era tipicamente ocidental (dieta norte-americana), vários estudos identificam no vinho tinto e uvas vermelhas e no azeite de oliva, compostos fenólicos com ação antioxidante capaz de justificar parcialmente o êxito da dieta do mediterrâneo.

Oleuropeína e hidroxitirosol são poderosos antioxidantes tanto in vitro quanto in vivo que estão presentes no azeite de oliva 67 . Particularmente no azeite de oliva extra virgem e nas azeitonas a concentração desses compostos é alta ( 50 a 800mg/kg e 2g/100g de peso seco, respectivamente) 68,69 .

Carluccio, et al 70 comprovou por meio de cultura de células endoteliais de aorta bovina que a presença de resveratrol (fitoalexina contida no vinho tinto), hidroxitirosol, oleuropeína e outros antioxidantes do azeite, inibiu a expressão de moléculas de adesão (VCAM- 1) quando em doses nutricionalmente relevantes, demonstrando efeito antiinflamatório e possivelmente a atividade antiaterogênica de alguns compostos fenólicos do vinho e do azeite de oliva.

Apesar do vinho tinto possuir quantidades significativas de trans- resveratrol ( 1,5 a 7 mg/L) 71 e de flavonóides (1000-4000mg/L) 72 , seu consumo regular não tem sido estimulado em função dos amplos efeitos deletérios do etanol, que incluem, além da hepatotoxicidade, elevação da trigliceridemia, glicemia, aumento da pressão arterial e favorecimento do ganho de peso 73 .

Um estudo realizado na cidade de São Paulo 74 analisou-se a eficácia do uso de bebida derivada do vinho tinto sem a presença de etanol comparada ao vinho tinto em coelhos hipercolesterolêmicos induzido pela dieta. O grupo de coelhos que consumiu ração rica em colesterol associada ao vinho tinto apresentou menor formação de placas ateroscleróticas em aorta comparada ao grupo que consumir a mesma ração com alto teor de colesterol com o derivado de vinho tinto sem etanol. Entretanto, houve diferença importante entre o segundo grupo e o controle, inferindo que mesmo sem etanol, compostos fenólicos presentes em uvas vermelhas apresentam efeito antiaterogênico.

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