A síndrome clínica que resulta na ressecção maciça do intestino delgado é causada por diversas condições de gravidade que afetam este órgão, como a enterocolite necrosante, a gastrosquise e onfalocele, o volvo e a intussuscepção intestinal, as obstruções intestinais, dentre outras causas. O prejuízo nutricional dependerá do local e comprimento da remoção cirúrgica, o que ocasionará diarréia e absorção reduzida de todos os nutrientes, minerais e vitaminas. A má-absorção dos carboidratos leva à diarréia osmótica e ao excesso de produção de ácidos graxos de cadeia curta, resultando em acidose, desidratação e desbalanço eletrolítico. A longo prazo, os efeitos da desnutrição comprometem o crescimento da criança.
Terapêutica nutricional: A nutrição parenteral total é a terapia inicial mais freqüente para estas crianças, mesmo nas pequenas ressecções.

No entanto, alguma nutrição enteral deverá ser instituída precocemente visando promover o trofismo intestinal, encorajando, nos lactentes, a manutenção da coordenação sucção-deglutição, e prevenindo o aparecimento da colestase associada à nutrição parenteral.

Os pacientes com menor redução do intestino e aqueles que conservam a válvula íleo-cecal toleram melhor a alimentação enteral precoce e os incrementos de volume da dieta 28.
O leite humano, quando disponível, tem primordial importância pela sua composição nutricional e fatores hormonais tróficos.
De maneira geral, durante a fase de adaptação pós-ressecção, os nutrientes devem ser simples, hidrolisados e de baixa osmolaridade sendo oferecidos de forma modularizada em pequenos volumes. As dietas semi-elementares têm indicação, sendo que os dipeptídios parecem ter melhor absorção que os aminoácidos livres.