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Mitos e verdades sobre o chocolate

Dr. Daniel Magnoni
Dr. Celso Cukier

Às vésperas de se comemorar a Páscoa, uma festa celebrada pelos católicos, as pessoas, sejam elas religiosas ou não, começam a ser bombardeadas com propagandas que estimulam à exaustão o consumo dos tão tradicionais ovos de Páscoa. Os anúncios mostram a guloseima das mais variadas formas, embalagens, cores e tamanhos. O que atrai a atenção não é propriamente o símbolo da festa cristã, mas sim o chocolate. Fica difícil resistir, principalmente os "viciados" na guloseima.

Como tudo em excesso não faz bem, o cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração, Daniel Magnoni, também presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Clínica (SBNC) alerta sobre os efeitos do produto. "É preciso moderação, porque o chocolate é rico em gordura saturada, açúcar e cacau, substâncias que podem trazer benefícios, mas também efeitos nocivos ao organismo humano", afima.

Rico em carboidratos e excelente como fonte de energia o chocolate contém o flavanóide, uma substância presente na semente do cacau que age como protetor cardiovascular. Isto acontece, segundo Magnoni, porque a absorção de flavanóide diminui a incidência e o desenvolvimento da arteriosclerose. Esta substância funciona como um filtro sangüíneo que ajuda na redução da formação de placas de gordura e transforma o colesterol ruim em substâncias benéficas para o bom funcionamento do coração. O flavanóide também é encontrado em frutas, como a uva por exemplo, e vegetais.

A base do produto é o licor de chocolate, feito a partir da manteiga de cacau (óleo de theobroma) e do açúcar, o que possibilita moldá-lo na forma desejada. Além disso, a fórmula utiliza também baunilha, sal, especiarias e óleos de essências. A manteiga de cacau é uma gordura vegetal que contém anti-oxidantes, que combatem os radicais livres, responsáveis pelo entupimento das artérias. Além disso, ela também é rica em ácidos graxos saturados e insaturados, que servem para diminuir os valores de colesterol e triglicerídeos, aumentar o HDL, o bom colesterol. Esta composição de gorduras é benéfica ao organismo desde que ingerida em quantidades moderadas. A gordura da manteiga de cacau por ser vegetal não contém colesterol e o percentual de gordura saturada e insaturada em sua constituição está dentro das recomendações estabelecidas pela Associação Americana de Cardiologia (AHA). O chocolate também tem um outro benefício, só que desta vez de ordem sexual. "Ele libera endorfinas, por isso pode estimular o apetite sexual e outras sensações de bem estar", explica Magnoni.

Já os efeitos negativos do apetitoso doce são vários. Primeiro porque ele é uma alta fonte de calorias. Só para se ter uma idéia, uma barra de chocolate de 100gramas contém 611 calorias e 48,7 gramas de gorduras. Além do aumento de peso, o consumo excessivo de chocolate pode provocar taquicardia leve, já que ele contém uma substância conhecida como Xantinas, um estimulante alcalóide do mesmo grupo da cafeína. Uma boa opção para as pessoas portadoras do diabetes, mas que não dispensa um chocolate, é consumi-lo sem açúcar.

Benefícios e História

Magnoni desfaz alguns mitos que rodeiam chocolate. O primeiro deles é que o consumo, ao contrário do que se diz, não causa dependência. O segundo, bastante divulgado, é o de que a mistura de chocolate com determinados medicamentos provocam sérios efeitos colaterais. O que se sabe, segundo o médico, é que pessoas que tem gastrite ou predisposição para a doença devem evitar o consumo excessivo do doce

No Congresso Europeu de Nutrição Parenteral e Enteral realizado em Estocolmo, em 1999, o nutrólogo sueco S. Rössner , abordou também em sua conferência os mitos e as verdades sobre o chocolate. Segundo Rössner, existem muito mais mitos do que verdades acerca do produto. Os benefícios do consumo do chocolate, segundo ele, além de funcionar como estimulante e energético, ajuda na redução dos sintomas da síndrome de tensão pré-menstrual. Por ser rico em ácido grasso esteárico, o chocolate não aumenta o colesterol.

Em relação aos diabéticos, Rössner afirma que os valores de glicose após o consumo do produto, não difere em nada dos valores alcançados quando a glicose é ingerida de outras formas. Para ele ingerir chocolate em quantidades moderadas não é diferente de ingerir outros carboidratos e pode trazer benefícios para a saúde quando bem dosado.

História

Na corte de Montezuma, Rei Azteca do Século XVI, foi servido xocoati, uma bebida amarga feita à base de semente de cacau, ao governador Hernán Cortés, que a seguir levou essa bebida para a Espanha. Adocicada e aromatizada com canela e baunilha, servida quente, a bebida permaneceu como um segredo espanhol por quase 100 anos, antes de ser levada para a França. Em 1657, um francês abriu em Londres uma loja na qual era vendido chocolate sólido para fazer bebida por 5 a 10 shillings o quilo. Com esse preço só os ricos podiam beber chocolate. Com o tempo novas casas de chocolate apareceram e à mistura foi acrescentado o leite. Apenas no século XIX o chocolate foi popularizado, devido à redução dos impostos sobre a importação do cacau.

Composição Nutricional:

Chocolate em barra (100 gramas)

Calorias : 611

Carboidratos : 30,3 gramas

Proteínas : 12,9 gramas

Gorduras : 48,7 gramas

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