Anna Christina Castilho
Nutricionista ImeN
Pós-graduanda em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP/EPM

Alimentação adequada e nutricionalmente equilibrada é um dos fatores importantes e essenciais para otimizar a performance, sendo esta, dependente e intimamente relacionada às características genéticas do esportista e/ou atleta, às condições de treinamento; além de aspectos psicológicos e ambientais, diretamente ligados a estes fatores.
Portanto, a nutrição pode apenas otimizar a capacidade física, mas não assegura, isoladamente, um pico de desempenho do mesmo.
Além de todos estes fatores deve-se levar em consideração, a modalidade esportiva e características individuais do atleta como: idade, sexo, peso, estatura, composição corporal, aptidão física e estado nutricional.
A dieta ideal é aquela que fornece todos os nutrientes necessários para um perfeito funcionamento do organismo e que quando consumidos proporcionem energia necessária para manter as funções vitais, tanto em repouso quanto em atividade física.
Para você que é atleta o nutriente que menos deve ser reduzido na dieta é o carboidrato, para que se possa conservar a massa muscular.
O consumo de carboidratos representa um importante elemento nutricional relacionado com os exercícios físicos, tanto no campo competitivo como na atividade física voltada para a saúde. Um correto oferecimento nutricional deste nutriente energético poderá aprimorar a qualidade do exercício realizado, maximizando o rendimento com redução da fadiga.
Portanto é imprescindível ações nutricionais especiais sobre os carboidratos, antes, durante e depois da atividade física.

A nutrição apropriada pode:

•  Otimizar os depósitos de energia;

•  Reduzir a fadiga e o tempo de recuperação;

•  Reduzir lesões e/ou recupera-las mais rapidamente;

•  Manter a saúde geral do atleta.

Fisiologia do Exercício:

A intensidade e a duração do exercício determinam quais serão os sistemas energéticos solicitados durante a atividade: aeróbio ou anaeróbio (sistema ATP/CP ou sistema ácido lático). O aeróbio é utilizado em atividades de longa duração e baixa intensidade, que possui como fonte energética o glicogênio (muscular e hepático), a glicose, os triglicérides (muscular e tecido adiposo), ácidos graxos livres, além de aminoácidos e proteína muscular. O anaeróbio predomina nas atividades de curta duração e alta intensidade, que exigem um rápido fornecimento energético; proporcionado pelos fosfatos de alta energia, ATP, creatina fosfato (CP), armazenados nos músculo que está sendo exercitado.
A maior parte da energia durante uma atividade é proporcionada pelo glicogênio e à medida que a intensidade e/ou duração aumenta, diminui a utilização do glicogênio e aumenta o percentual de energia fornecida pelas gorduras; e conseqüentemente utilização de aminoácidos e/ou proteínas como fonte energética.

Glicogênio e Dieta:

A depleção do glicogênio muscular está associada à queda de performance e pausa na atividade; assumindo portanto, papel primário na determinação da capacidade de exercício.
Dietas deficientes e pobres em carboidratos depletam rapidamente o glicogênio muscular e hepático e, subseqüentemente, reduzem o desempenho nas atividades intensas e de curta duração, assim como nas de resistência prolongada e máxima.

Aspectos Nutricionais importantes:

Refeição antes do exercício: Ajuda a manter os níveis de glicemia (energia) para os músculos envolvidos no exercício durante o treinamento e competição; evita a fome durante o exercício e melhora a performance.

Hidratação durante o exercício: Evita a desidratação, a queda de performance e fornece energia para os músculos que estão sendo acionados no exercício. A correta hidratação visa a reposição de água e o balanço de eletrólitos (principalmente sódio e potássio). A reposição hídrica não se faz com volume e sim com frequência de ingestão de líquidos, portanto deve-se iniciar a hidratação bem antes do inicio do treino e/ou competição.

A hidratação deve ser feita sob orientação da nutricionista que poderá formular um soro caseiro: água + carboidratos (maltodextrina) + eletrólitos.

Refeição após o exercício: Reabastece os músculos para o próximo evento ou competição

Escolha os melhores alimentos para os horários certos:

Horário

Sugestões

3 ou mais horas antes

ou após

Frutas frescas ou sucos, biscoitos, pães, biscoitos e bolos simples (sem cobertura e recheio), queijo ou carne magra (frango grelhado), iogurte e leite desnatado com cereal, batata assada, massa com molho de tomate, arroz branco, sanduíche de peru com cenouraetc

2 a 3 horas antes

Suco de frutas ou de hortaliças, frutas frescas, pães, biscoitos e bolos simples, leite desnatado com cereal, iogurte desnatado batido com frutas, barras energéticas.

1 ou 2 horas antes

Suco de frutas ou hortaliças, frutas frescas não muito maduras e pobre em fibras, barras energéticas, iogurte desnatado, vitamina de leite desnatado batido com banana, uvas passas.

Aqui cuidado com os alimentos com alto índice glicêmico (melancia, abacaxi, açúcar refinado, mel, beterraba, etc) pois provocam um rápidos aumento da glicose sanguínea à hipoglicemia e fraqueza

Referências Bibliográficas Consultadas:

  1. American College of Sports Medicine, American Dietetic Asociation and Dietitians of Canadá. Nutrition and Athletic Performance. Med. Sci. Sports Exerc. 32: 2130-2145. 2000.
  2. MARINS, J. A participação dos carboidratos na hidratação: Uma breve revisão. Revista Mineira de Educação Física. 7 (1): 64-81, 1999.
  3. McARDLE W.D.; KATCH f.I.; KATCH V.L. Sports & Exercise Nutrition. Baltimore, Lippincott Williams & Wilkins, 1999.
  4. WILLIAMS, M. Nutrição para a saúde, condicionamento físico e desempenho esportivo. São Paulo: Manole, 2002.
  5. WOLINSKY I. e HICKSON J.F. Nutrição no Exercício e no Esporte. São Pau1o: Roca, 1996.

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